sexta-feira, 13 de junho de 2014

Sobre líderes e espaços de 'poder'

Eu estava há pouco a ver uns vídeos de um curso sobre criação de negócios e um dos entrevistados, ao falar sobre inovação, disse algo que me chamou muito a atenção. Basicamente ele disse que a  criação de uma cultura de inovação passa pela postura do 'líder'. Líder este que é capaz de estimular as pessoas a sonhar junto e dar o seu melhor pra um projeto coletivo. 

A primeira coisa que me ocorreu é que isso não se faz de qualquer jeito. Só alguém com grande sensibilidade e respeito pelo outro é capaz disso. A segunda coisa que me ocorreu foi de que fazer isso é muito difícil. E a terceira é de que eu estou cada dia mais disposta a me tornar alguém assim, por mais difícil que pareça ou que seja. 

Eu não sou formada na área de administração, mas, já venho há um tempo lendo textos, matérias, livros de gestão de pessoas e me identificando com esse tipo de compreensão do papel da tal da liderança, ou melhor, do papel das pessoas dentro das organizações, logo, acho que você, se quiser, também pode fazer o mesmo. 

Ao ouvir a fala dele acabei por clarificar uma percepção que já me ocorreu algumas vezes: é cada vez mais deficiente a formação de novos líderes pelo medo que as pessoas tem de perder espaço. Em alguns casos, pode ser que se trate de problemas de formação, de modelos de liderança com quem a pessoa teve contato, mas, na maior parte dos casos acho até que o negócio é mais simples. A pessoa entra em algum espaço de liderança, de poder, de direção, de representação (chamem como acharem melhor) e passa a se ver quase que como um predestinado. A única pessoa capaz de ficar ali e fazer as coisas da forma como elas devem ser feitas. Se for preciso ela dá até cotoveladas pra preservar o seu quadrado. Acho que é o tal encanto pelo poder. Freud deve explicar, ou Foucalt. Alguém explica?

Independente do motivo, o fato é que essa postura é péssima, afasta, e só reproduz pessoas incapazes de lidar com o outro, de estimular o melhor do outro, e, consequentemente, míopes demais para enxergar os danos que sua postura estreita traz para as organizações. Além do que, se for olhar por uma perspectiva mais 'individual', sinceramente, o que é que te acrescenta ficar cinco, dez anos, no mesmo espaço? Fazendo a mesma coisa? Eu acho que não acrescenta nada. Mudar, além de bacana, é fundamental antes de tudo pra nós, enquanto pessoas. Consequentemente será também para a organização em que você atua.

É preciso girar e se ter uma mentalidade de que nossa contribuição em alguns espaços deve ser transitória. Para novos desafios, precisamos também de novos caminhos. A grande contribuição que podemos dar é formar mais e melhores pessoas que nós. Esse é o legado. Precisamos das pessoas pra fazer a mudança acontecer, mas pra isso, elas precisam ser vistas por  nós não como meios para nossos objetivos e sim como parceiras de voos muito mais altos. 

Compreender que já se foi o tempo em que líder era sinônimo de autoritário é fundamental. Não basta mais mandar e se apegar aos espaços como se fostes o único capaz de produzir coisas boas. Garanto que o mundo não vai parar se você sair. Só você que acha isso. Preocupe-se mais em colaborar do que em ocupar e dirigir. Preocupe-se mais em formar. Preocupe-se mais em ser bom e servir de uma boa influência para alguém. É possível que o verdadeiro poder venha daí. Não esse poder que você acha que é importante. O poder de fazer acontecer. Esse, meu caro, não tem preço!

Nenhum comentário:

Postar um comentário