Hoje me dei conta do tempo que eu não escrevo aqui. Mas, era pra ser mesmo um blog despretensioso e sem hora marcada... Então, pronto!
O que me motivou a escrever hoje foi uma atitude que eu já me dei conta que tenho, não gosto de ter, mas ainda não consigo gerenciar: julgar as pessoas. Deu vontade demais de escrever sobre isso porque essa semana que mal está na metade, eu me peguei olhando, pesando, medindo e considerando pessoas. Odeio fazer isso, mas quando eu vejo já fiz. Não preciso nem exteriorizar minha opinião. Eu sei que fiz e isso já me basta.
Esse julgamento de que eu estou falando não é aquele que diz respeito a troca e debate de ideias, sobre, por exemplo, a política econômica brasileira, a postura da presidente sobre a educação. Não. Não estou falando do debate de ideias. Não diz respeito a crítica (política ou intelectual, sustentada e respeitosa, por favor). Diz respeito a julgar a moral e o valor do outro, expressas pelas atitudes, pelas opiniões, pela roupa, pelas decisões tomadas.
É aquele julgamento carregado de simbolismo, da minha própria moral, dos meus valores e da minha forma de ver o mundo. É aquele julgamento que me faz, por vezes, dizer que quem curte balada perde tempo. Ou que passar horas na academia é besteira. Que trabalhar insanamente, não ter finais de semana é morte em vida. Que quem perdoa traição é besta. Poderia citar mais mil exemplos dessas pequenas e 'inocentes' intromissões na vida alheia travestidas de frases soltas.
Poderias me dizer que não tem nada demais nisso, afinal, fica em off, é só um pensamento, só comentamos entre amigos. O fato é que a repercussão acaba por ser maior que isso. A depender do 'objeto' de julgamento é possível que se tomem decisões mais permanentes que fazem com que através do julgamento afastemos as pessoas, ou, pior: que as hostilizemos por ser o que são.
Sei que há uma linha muito tênue nisso que estou falando. Afinal, o direito do outro acaba quando começa o meu. Há pessoas que compreendem isso como: 'ela pode fazer o que quiser e eu posso falar o que quiser. A minha tradução desta frase é um pouco diferente. Pra mim ela significa que eu tenho direito de escolher minha forma de viver, não agir da mesma forma, a depender do caso posso não ter relações de amizade, todavia, não tenho direito de dizer que X comportamento é inadequado e de segregar ou desrespeitar de qualquer forma outra pessoa que faça coisas que eu não faço.
Vi perdida por aí um frase do Nietzsche que, ao invés de me acalentar o coração me deixou mais inquieta. Eis a frase: "o homem é, antes de tudo, um animal que julga". Ok. Por mais que se reconheça e se admita socialmente que o ser humano julga um ao outro, não acho que seja uma prática saudável de vida em sociedade. Especialmente no tipo de sociedade que eu quero viver.
E nessa sociedade, infelizmente tão utópica e distante, as pessoas respeitam as escolhas e estilos de vida umas das outras. Eu quero ser uma dessas pessoas. Esse texto acaba por ser a minha reflexão em voz alta, na direção de construi-la, através da minha prática.